quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Já está quase a fazer dois meses desde que te foste. Contraditoriamente parece-me que foi ontem e há uma eternidade. Se fechar os olhos consigo lembrar-me de cada pormenor da tua partida: o fraco suspiro que soltaste e o meu gemido quase em simultâneo; a fase de negação de toda a tua família, ninguém queria acreditar que tinha acabado tão rápido e os dias seguintes que foram os piores da minha vida. Contudo, também me parece que fiquei sem avó há tanto tempo... como se fosse difícil evocar lembranças de quando me levavas a passear contigo à Foz, quando íamos no autocarro e me ralhavas por querer ir de pé, de quando me davas rebuçados de mentol...

É tão estranho pensar que nada disso vai voltar a acontecer. Sinto mesmo a tua falta e tento esconder essa fraqueza. Mas sempre que fecho os olhos à noite lembro-me de ti e penso que já acabou sinto uma vontade de chorar quase incontrolável. Sonho contigo inúmeras vezes, desejando recuperar lembranças do passado.

O meu maior receio é que te vá esquecendo... que daqui a alguns anos não me consiga lembrar de quase nada ou que me lembre apenas dos tristes dias do velório e funeral. Eu não quero isso e começo a achar que  o meu subconsciente está constantemente a evocar-te para que no fundo não te possa esquecer.

Ainda hoje me dói saber que não estiveste presente no meu casamento. Queria ter tirado pelo menos uma fotografia contigo... e se daqui a uns anos já nem souber se estavas viva ou não?

Queria tanto ter-te de volta...

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